A melhor camera


Roberto Teixeira // Technologist and regular nerd helping a small company called Intel build great software products.


Estou à procura de contatos em empresas que desenvolvam software para dispositívos móveis, de celular a (específicos para) netbooks.
Tenho um projeto e estou selecionando possíveis candidatos a um piloto. Em tempo, não estou pedindo por alguém que possa aprender e então desenvolver algo. Estou procurando por uma empresa, já estabelecida, que já tenha produtos. É sempre bom deixar claro. Bonus points se a empresa cria jogos para celular.
Se você conhece alguém que trabalha com isso, por favor me envie um email ou deixe um comentário para eu retornar.
Uma vez eu tive um sonho que prometi a mim mesmo que um dia escreveria. Não lembro exatamente quantos anos eu tinha, mas foi em algum momento da minha adolescência.
A razão pela qual o sonho era (e continua sendo) tão especial para mim é que ele foi o sonho mais vívido que já experimentei. Eu ainda lembro de tudo com muita clareza. E o sonho não foi apenas vívido, mas complexo no sentido de que no sonho eu tinha consciência de detalhes impressionantes da minha vida em-sonho.
Meu nome era Sébastien Quentin. Eu tinha 12 anos de idade e vivia em um internato no interior da França. Sim, eu era francês!
A vida lá era dura, mas não do modo caricaturístico que se vê em filmes sobre internatos. Certamente não era realmente pior que minha vida real em um colégio católico, com o detalhe que na vida real eu ia para casa todos os dias depois das aulas. Mas, como dizem, c’etait la vie.
Eram meados dos anos 40 e eu sabia que havia uma guerra lá fora. Eu sabia dos alemães – eles já haviam estado na escola antes – e eu sabia dos ingleses – eles estavam chegando, de acordo com os adultos. Mas a verdade era que tudo isso me importava muito menos do que os assuntos diários mais importantes nas vidas dos meninos da escola.
Eu tinha um melhor amigo no sonho. Seu nome era Gaspard, era de Lyon e seu sotaque era objeto de chacotas. Também éramos amigos – ou pelo menos achávamos – com o Irmão Michel Gonnet. O irmão Goneet não era popular entre os professores e padres, nem era particularmente popular entre os meninos. Gonnet tinha duas deficiências físicas: um braço e uma perna. Fruto, eu achava, de alguma doença terrível de sua infância. Gonnet era então a vítima frequente de humilhações e ataques dos garotos. Os padres nunca faziam nada para desencorajar isso. Pelo contrário, Gonnet era frequentemente atacado por eles em nossa frente por qualquer falha cometida. E eram várias.
Mas Gaspard e eu gostávamos de Gonnet por alguma razão. Não particularmente, para ser honestos, mas provavelmente éramos a coisa mais próxima de amigos que ele tinha na escola. E não pense que éramos santos: eu certamente fiz minha parte para tornar a vida dele um pouco mais miserável. Ele era velho para nós, mas olhando agora através dos meus olhos da “vida real”, eu posso dizer que ele devia estar com uns 25 anos de idade, no máximo. Ele havia vivido toda sua vida com padres e era responsável por todo o tipo de serviço desagradável. Ele tinha de cuidar dos animais – basicamente porcos – e ajudar na cozinha. Ele era frequentemente acusado de roubar comida, o que sempre causava punições físicas vindas dos padres.
Não que eu estivesse particularmente preocupado com o irmão Gonnet. Era parte da vida. Pensando agora, a verdade era que éramos filhos mimados de famílias ricas e os problemas de Gonnet não tinham importância nenhuma para nós.
É bom notar que eu não tenho certeza absoluta de quanto do sonho foi em tempo real e quanto eram apenas memórias dentro do sonho. Isso é uma das coisas que tornou este sonho tão legal. No sonho eu lembrava da minha vida antes do colégio. Melhor ainda, quando eu acordei, eu fiquei com as memórias. Eu lembrava quando meu pai havia me enviado para o internato e como minha mãe reagira. Eu lembro da minha primeira noite lá e como encontrei Gaspard. Eu sabia meu nome completo, bem como meu aniversário (3 de maio de 1928) e os nomes dos meus pais. Eu conhecia primos, tios e tias. A quantidade de detalhes era impressionante.
Em algum momento do sonho, eu me vi em uma cena surreal – ainda era um sonho, afinal de contas. Eu estava de pé, ao lado de uma porta. Era uma salinha pequena, com paredes de barro e iluminação vindo exclusivamente de velas. No centro da salinha havia uma mesa e ao redor dela três pessoas discutiam: um ateu, um padre e um monge. Eles discutiam o significado de Deus. O comportamento do ateu era ofensivo: ele frequentemente ria alto, fazia gestos obcenos e dizia palavrões. O padre, por sua vez, não se desviava de citar a Bíblia, como que para provar seus pontos. O monge parecia o mais sensato dos três. Seus argumentos eram perfeitos toda a vez. Ele destruía os argumentos em favor da existência de Deus para o padre e os contra a existência para o ateu. Foi bastante divertido. E foi também um sonho dentro do sonho. Eu lembro de conversar sobre o sonho com Gaspard na manhã seguinte.
Como eu disse antes, eu sabia que havia uma guerra. Todos sabíamos. Sabíamos que estávamos vivendo em uma nação ocupada. A escola havia sido deixada em paz, mas havíamos tido visitas de alemães algumas vezes, para desespero dos professores. Oficialmente, claro, não nos contavam nada sobre qualquer coisa fora dos muros do colégio, mas podia-se ouvir algo aqui e ali. Além disso, tínhamos Gonnet, nossa fonte confiável. Não que os professores realmente soubesse muita coisa; eram rumores sobre rumores. Mas os rumores eram de que os Aliados estavam vindo.
Tudo começou com um som nada familiar, seguido de brilhos na noite. Tudo além do horizonte, mas próximo o bastante para ser real. A atividade no colégio mudou sutilmente. Você podia sentir que algo grande ia acontecer. Os padres pareciam ter um misto de felicidade e tristeza. Eu não podia então entender, mas agora posso: era a felicidade de saber que as coisas iam ficar melhores, com a tristeza de saber que provavelmente as coisas ainda ficariam muito piores antes.
Os dois dias seguintes eram surreais para nós. Vários soldados alemães apareceram no colégio ao longo dos dias, pedindo suprimentos. Os padres davam o mínimo possível e eles continuavam seu caminho. Esses soldados, de acordo con Gonnet, estavam se reunindo no centro da cidade para defender-se da chegada dos americanos (não se falava mais em ingleses, agora eram os americanos).
Na noite do segundo dia, os americanos chegaram. O barulho nos cercava. Os padres nos mantinham dentro da escola e todo mundo tentava olhar pelas janelas na esperança de ver alguma coisa.
Por alguma razão, eu sentia que precisava ver a luta. Eu tinha de estar lá. Ignorando os gritos dos padres para eu parar – e meus instintos – eu corri para fora do colégio. Quando cheguei no portão residencial, eu tentei descobrir para onde ir. Decidi ir para o centro da cidade. Corri e corri, cruzando a rua estreita. Eu podia ver a ponta do telhado do hotel que ficava ao lado da prefeitura. Assim que saí da rua estreita na área aberta do mercado, em frente à prefeitura, algo incrível aconteceu. Ouvi um crescendo e antes que pudesse perceber o que era, me acertou.
Assim que fui atingido, e tudo ao meu redor foi destruído, eu senti falta do som. Como quando a gente ouve o som de derrapagem e fica esperando o som da batida. Tudo estava quieto. Eu ainda estava “reagindo” ao barulho inicial, percebendo que devia ser uma bomba ou algo assim. Mas agora tudo estava quieto. Comecei a tentar entender o que estava acontecendo e percebi que a prefeitura e o hotel estavam em ruínas. Fiquei com medo de que algum pedaço das construções fossem me atingir, mas aparentemente eu não havia me machucado e tudo estava bem. Só havia silêncio e fumaça.
Logo parei de me perguntar o que havia acontecido, quando meus medos tomaram conta, e eu resolvi correr de volta para o internato. Comecei a voltar. Ainda não podia ouvir nada e comecei a me perguntar se havia ficado surdo. Não me ocorreu dizer algo para ver se eu ouviria...
Desta vez entrei na escola pela entrada de trás. Uma parte de mim achava que eu talvez escapasse da punição se ninguém me visse entrar. Percebi então que ninguém estava esperando para me punir. Eu não conseguia achar ninguém. Andei por toda a escola e a encontrei totalmente vazia.
Então de repente cheguei em uma sala e parei. Vi então figuras saindo da lareira. Lembro de reconhecer todas elas imediatamente, embora muitas delas eu jamais havia conhecido. Eram todos parentes já falecidos. Tios, tias, avós. Lembro de estar chocado com o fato de reconhecê-los imediatamente. E havia outra coisa interessante: eles eram todos de um azul brilhante. Foi quando eu percebi, de forma natural, que havia morrido na explosão. Eu não estava com medo ou qualquer outra coisa similar, eu estava absolutamente calmo e feliz, como quando se chega em casa depois de uma viagem. Eu me sentia feliz de estar com aquelas pessoas.
Até onde posso lembrar, foi aí que eu acordei do melhor sonho que já tive.
[...] eu me declaro ateu porque não apenas duvido da existência de Deus como o declaro meu inimigo caso ele exista. _Acho_ que esta é a diferença entre agnósticos e ateus. Agnósticos não se importam, ateus são contra.A diferença dos termos
Desses best sellers ateístas, acho que o melhor é o Carta a Uma Nação Cristã, do Sam Harris. Pequeno, simples, direto e para um público específico (mas também pode ser aproveitado por quem não é cristão). Livros à parte, eu me declaro ateu porque não apenas duvido da existência de Deus como o declaro meu inimigo caso ele exista. _Acho_ que esta é a diferença entre agnósticos e ateus. Agnósticos não se importam, ateus são contra. E que medo as pessoas têm de parecerem chatas. Se é chato falar a favor das religiões, se é chato falar contra as religiões, por que não é chato falar sobre a chatice de ser chato nos assuntos chatos? :-)Eu não poderia ter pedido por melhor evidência de tudo o que eu disse. Uma defesa ferrenha da religião por um devoto.
Ok, vou dizer: ateísmo engajado é absolutamente tão chato quanto um crente. Igual. Exatamente igual.A primeira coisa que sai deste comentário é que sim, eu acho crentes (engajados) muito chatos. Os crentes chegam despejando sua logorréia sem sentido de argumentos rasos. Uma verdadeira verborragia. Dito isso, o segundo ponto tirado do comentário é que acho que o ateísmo engajado trilha o mesmo caminho. O ateu despeja uma torrente de argumentos rasos o tempo todo, o que nos leva a (o que deveria ser) uma obviedade (via Twitter do epx):
@robteix ateísmo é uma religião como qualquer outra. Os agnósticos é que estão certos.Sim, ateísmo é uma religião, pois baseia-se nos mesmos preceitos: crença cega em algo intangível. Os argumentos são, exatamente como os dos teístas, otimizados para seus próprios membros. É apenas uma religião não-teísta, mas ainda assim uma religião. Voltemos ao Dr. Dawkins para servir de evidência. Seus livros sobre evolução são fantásticos. Em especial, sugiro a quem se interessar pelo assunto que leia o clássico The Selfish Gene
You cannot reason people out of a position that they did not reason themselves into.Faz sentido. Tentar usar argumentos lógicos contra uma crença ilógica é contraproducente. Argumentar que deus não existe porque não pode ser provado não funciona com quem não acha que necessite de provas. E isso sem considerar que no final das contas é impossível provar que algo não existe. O fundamentalismo ateu é tão desagradável quando o fundamentalismo teista. Ambos são fundamentalismos religiosos e, como tais, deveriam ser combatidos. E antes que alguém me acuse de crente, deixe-me deixar claro que: eu não acredito em um deus. Não acredito no sentido de “não sei se existe, e nem me interesso em saber”. É um sentido bem diferente de “eu sei que não existe um deus porque X”, onde X é alguma racionalização. Em outras palavras, se um deus – talvez sejam vários – existe, ele claramente não tem qualquer influência prática na minha vida, de forma que posso ignorá-lo sem que isso me afecte de qualquer forma. Na prática, se deus existe, ele age como se não existisse e por tanto é irrelevante. Sempre me considerei um “agnóstico”, o que muitos ateus entendem como alguém que não quer tomar um lado. O Michaelis define agnóstico assim:
agnóstico adj (a4+gnóstico) Pertencente ou relativo ao agnosticismo. sm 1 Partidário do agnosticismo. 2 O que ignora ou aparenta ignorar tudo quanto não caia sob o domínio dos sentidos.Então de certa forma os ateus têm razão: eu não quero tomar um lado. De um lado está a crença na existência, do outro na inexistência. Ambos são crenças e ambos não conseguem ver que existe outra opção: a descrença.