Roberto Teixeira

Roberto Teixeira

Roberto Teixeira  //  Technologist and regular nerd helping a small company called Intel build great software products.

Apr 4 / 2:21am

Autorregulamentação do Linux

Eu estava lendo um post (Por que abandonei o Linux: Da filosofia à prática) que não vem ao caso. O interessante, como normalmente é o caso, são os comentários. Logo no início eu achei uma pérola maravilhosa.
Linux vai se auto-regulamentar em poucos anos. Se em 30 anos ele criou uma interface gráfica que simula bem o seu concorrente, aposto que em mais 20 ele ultrapassa as demandas dos softwares pagos.
=D

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Apr 3 / 10:34pm

Oposição burra, burra mesmo

É impressionante como a oposição (PSDB, DEM, etc) é burra. Burra no sentido real mesmo, e não só no sentido geral de "oposição burra" (que se opõe sistematicamente a toda e qualquer proposta do governo). É burra porque parece não saber fazer oposição. O PT fazia oposição burra antes de virar governo, mas pelo menos fazia isso bem. Essa oposição de agora parece que não consegue entender nada. Acabei de ler na Folha:
PSDB, DEM e PPS preparam uma "ofensiva" contra o governo, informa o blog do Josias. Eles programam a abertura de um portal oposicionista na web para servir como uma plataforma virtual de fiscalização da gestão Lula. O blog informa que o portal terá textos e imagens. A ideia é levar ao YouTube imagens de obras atrasadas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), gerido pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) --possível candidata petista em 2010.
Será que a oposição realmente não entende? O que um canal no YouTube vai fazer? Gerar envio de e-mails entre colegas do Citibank, no máximo. O apoio a Lula (e sua atual comparsa preferida) não vem das pessoas que acessam YouTube (com algumas exceções hipócritas), mas daqueles que não têm Internet. Para mim, tentar atingir Lula pelo YouTube é tão efetivo quanto tentar fazer o mesmo através de editoriais no New York Times. E mesmo que não fosse pelo YouTube, mas por algum meio mais acessível, ainda haveria o fato de que o brasileiro médio (que não é você) não dá a mínima para essas coisas. O passado tem uma lição clara: durante os escândalos do caso Collor/PC Farias -- amadores perto de tantos outros que vimos recentemente -- o índice de popularidade de Collor não caiu, até o dia em que a imprensa publicou fotos das cascatas que ele tinha em casa. Collor caiu porque o povo deixou de vê-lo como um deles. De repente, Collor era rico. Daí pra frente foram os caras pintadas e tudo o mais. Atacar Lula como péssimo administrador é burrice. Se isso contasse para alguma coisa, Sarney estaria preso, não presidente do Senado. Os ataques só reforçam o apoio. Lula é populista -- procure no dicionário antes de retrucar -- e sabe muito bem como fazer isso. Não se ataca um populista com argumentos moderados. Lula é bom no que faz. O comentário sobre louros de olhos azuis foi direcionado para sua base. Funciona. A oposição não parece conseguir entender isso. Acho que realmente o PSDB e DEM não conseguem se conectar com o brasileiro "normal". E não vai ser com o YouTube que vai começar.

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Mar 19 / 5:57am

Meu pesadelo recorrente

Eu tenho exatamente este mesmo sonho recorrente. Exatamente igual. E eu acordo e levo algum tempo para me convencer de que era só um pesadelo. Eu achava que era só comigo :)

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Mar 18 / 9:14pm

Capacidade de mudar de idéia

Se você já teve contato com nerds reclamões -- se lê isto aqui, com certeza já teve -- você deve saber como é difícil fazer um desses mudar de idéia. Há um claro eufemismo na afirmação anterior. Ontem eu estava conversando com minha irmã por telefone. Ela ia comprar um iMac e queria umas dicas sobre como rodar algumas aplicações que ela usa com frequência devido a sua profissão. Conversa vai, conversa vem e por algum motivo qualquer eu comentei com ela que eu não uso Linux há anos. Imediatamente começou a tirar um sarrinho porque eu gostava tanto daquilo antigamente. Nada de mais, eu dei uma risadinha também e ficou por isso. Mas tenho um conhecido que ficou muito irritado comigo ao saber que eu não usava mais Linux (e, em especial, KDE) e me acusou de me ter vendido, de ter traído quem-não-sei. Os dois casos são exemplos claros de como mudar de idéia parece ser raro o suficiente para atrair graça e ódio. Eu poderia falar de outras mudanças de opinião que tive, como sobre qual partido apoiar -- já fui petista de usar brochinho de estrela -- ou se eu deveria ser técnico ou não -- trabalhei com marketing e vendas e fiz um MBA -- ou sobre a pena de morte e o aborto -- já fui a favor e contra, respectivamente -- ou até mesmo, Oh Senhor!, sobre religião -- já fui coroinha. Mas como estou falando em nerds reclamões, o episódio "Linux" parece ser o mais apropriado. Até o final dos anos 90, eu apenas havia trabalhado com plataforma Microsoft (e Oracle, mas em plataforma MS). Do MS-DOS ao Windows 3.1 e daí em diante. Programava em Win32 C, OWL e em Visual Basic. Comecei a década fazendo um sistema de proteção contra cópias que eu licenciava para algumas empresas. Eu adorava. Lá por 95 eu comecei a usar Linux em casa. Era o máximo! Eu me sentia o maior hacker do mundo. "Kra! Eu consegui acessar a internet ontem!!" Em 2000 comecei a trabalhar com Linux em tempo integral. Windows virou "ruinDOS" e quem não usava Linux era perdedor. Burro. Uns quatro ou cinco anos depois eu estava de saco cheio do Linux. Não do Linux em si, talvez, mas da "komunidade". Há cinco ou seis anos eu publiquei um artigo na falecida Revista do Linux chamado "Como (não) defender o Linux" (ou algo bem próximo disso). No artigo eu criticava as táticas da komunidade.  As idéias básicas, se bem me lembro, eram:
  • Não chame Windows de "ruindows" e similares, pois isso só faz você parecer infantil;
  • Atualize seus argumentos. Falam de GPF e telas azuis em tempos de Windows XP é inútil;
  • Não fale mal do produto dos outros; mostre como o seu é bom;
  • E pelamordedeustodopoderosocriadordoceuedaterra não ofenda quem não concorda com você.
É impressionante que hoje, meia década depois, o mesmo artigo poderia ser publicado e ainda pareceria atual. Claro que não é só a komunidade que faz isso. Uma das coisas que mais gostei no fato de não trabalhar mais em uma distribuição Linux é que eu comecei a andar com gente de outros grupos. É legal, porque quando a gente trabalha em uma distro, a gente acaba em uma bolha. É como um campo de distorção da realidade onde parece que todo mundo usa Linux, todo mundo gosta da mesma coisa, etc. Isso acaba ficando chato. Hoje eu lido com gente da komunidade, mas também faço parte de outros grupos. Tem o relativamente recente grupo dos iFanboys. você conversa com eles e de repente parece que o mundo inteiro está migrando para Mac. Mais alguns anos e a Microsoft vai fechar as portas e o mundo inteiro estará na Era do Mac. Glória aos Céus! E, claro, ando com a galera do Windows. É interessante que o pessoal do Windows é o que soa mais racional. Não porque realmente o sejam, mas é apenas uma consequência dos números. O Windows é popular o suficiente para que seus usuários não sintam-se pressionados a defender-se (o que, na komunidade e nos iFanboys significa atacar uns aos outros). Claro que existem os malas também, mas são as exceções, não a regra. Voltando ao ponto, eu acabo "andando" com esses grupos diversos e percebo que quando estou com cada um deles, eu procuro me restringir à bolha respectiva, o que é chato para mim. Mas quem está errado? Ora, eu, é claro! Eu devia parar de me preocupar com o que outros vão pensar disso ou daquilo. Pessoalmente eu tenho orgulho de poder mudar de opinião. Aliás, é ótimo isso, já que obviamente estou ficando velho, quando mudar de opinião é quase tão difícil quanto quando se é um nerd.

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Mar 18 / 8:04pm

Tributo ao Morcego do Espaço

Há alguns dias, quando o ônibus espacial Discovery preparava-se para o lançamento, um morcego foi visto agarrado ao tanque externo e lá ficou até o lançamento.
Especialistas afirmam que o animal estava provavelmente machucado e não conseguia mais voar, mas o resto de nós sabe a verdade: ele tinha um sonho e ninguém ia impedir ele de realizá-lo. O tributo:

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Mar 17 / 2:46am

Estupro, aborto e excomunhão

O assunto já é velho e eu tinha conseguido ficar de fora. Mas como tenho visto alguns posts em blogs ainda sobre este assunto, resolvi falar dele. O episódio tem três pontos-chave:
  • Um estupro
  • Um aborto
  • Algumas excomunhões
O que realmente acho interessante é o fato de que as discussões acontecem em relação a dois desses. Temos os que condenam a excomunhão e temos os que condenam o aborto. O estupro? Contra esse ninguém parece ter nada. Para ser sincero, não falo aqui com conhecimento de causa. Li muito pouco sobre o que aconteceu. O pouco que li resumia-se a ataques de um grupo ao outro. Mas de acordo com meus parcos conhecimentos do caso, aqui vão minhas opiniões em relação a cada “fato” (com aspas, já que só sei o que li). Fato #1: Uma menina de nove anos é estuprada. Quem estava errado? O estuprador. Fato #2: Opta-se por fazer um aborto. Certo ou errado? Certo. Por quê? Simplesmente porque a escolha deveria ser dos envolvidos, de forma que se esta foi a escolha deles, ela é, por definição, a certa. Há ainda a discussão sobre se a gravidez era de risco ou não. Como não sou médico – e mesmo que fosse, não tive acesso aos dados – só posso aceitar. Mas e se não fosse? Ainda assim acho que uma menina de nove anos não deveria estar preocupada em criar outra criança, ainda mais tendo sido um estupro, e não uma escolha. Fato #3: A Igreja decide excomungar os envolvidos no aborto. Quem está certo? A Igreja. Ohhhhh, ouço alguém exclamar. Por isso repito aqui: A Igreja Católica agiu corretamente ao excomungar os envolvidos. Ei! Espere aí! Você mesmo disse que achava que eles acertaram em optar pelo aborto! Sim, mas não sou católico. Graças a Deus! Eu acho que eles agiram certo ao optar pelo aborto. A criança aparentemente corria risco e não queria estar grávida. Então como é que você pode defender a igreja? Porque a igreja definiu que isso é um pecado e pronto. O erro não está com eles, mas com quem segue a religião católica só por moda (ou por indocrinação paterna). É impressionante como as pessoas seguem uma religião sem pensar no que ela representa. Bem, agora vocês sabem. Uma vez um paraplégico do RJ quis casar-se e o padre recusou-se. Foi uma comoção e um pastor de outra denominação acabou celebrando a união. Mas a igreja católica não permite o casamento de um paraplégico. Chocado? E você é católico? Você devia informar-se mais sobre sua religião. É impressionante como pessoas não religiosas que se interessam pelo assunto acabam facilmente sabendo mais do que muitos fervorosos crentes. Mas, argumentarão alguns, é direito dos católicos quererem modernizar sua religião, não? Bem, deveria ser, mas não é. A igreja católica “acredita” que o Papa é o canal de Deus com a Terra e se ele diz A, então é A. E quem quiser B, que vá para o inferno. Literalmente.

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Mar 9 / 2:22am

baba

this is a test
/* This is a comment */
#include <stdio.h>

int main(int argc, char **argv)
{
    printf("This is a string and %d is a number\n", 10);
    return 0;
}

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Feb 26 / 4:27am

Como não procurar emprego

Em um outro post, Como não fazer um currículo, falei sobre alguns erros que vejo frequentemente em currículos que recebo. Enquanto escrevia, me lembrava de algumas outras coisas que acho que as pessoas deveriam trabalhar. É culpa do "networking". O pessoal só lembra disso quando precisa. Quem me conhece sabe que eu tenho um coração mole. Nas palavras de alguns, sou um burro. Eu realmente gosto de ajudar e tenho a tendência a me envolver sentimentalmente, de forma que muitas vezes fico mais preocupado em achar emprego para um amigo que o amigo em si. Mas algumas coisas me irritam e têm o efeito contrário. O primeiro são os amigos de necessidade, aqueles que só são seus amigos quando precisam de ajuda. Caso clássico: tenho um "amigo" que, enquanto estava à procura de emprego ou com problemas, estava sempre comigo, sempre querendo conversar. De repente, este conseguiu seu emprego dos sonhos. Está feliz. Incidentalmente ele simplesmente cortou relações. Falar com ele agora é um suplício. Se precisar de novo, aí ele vai estar de volta. Era um daqueles caras que passavam o dia no MSN ou ICQ conversando. Não te deixam em paz. Agora, ele fica apenas invisível "senão sempre aparece alguém para atrapalhar". Não é um caso raro. Um outro conhecido foi demitido e grudou-se em seus conhecidos até conseguir um emprego na Microsoft. Depois disso, sumiu. Até que um amigo em comum lhe deu uma dura, lembrando a ele que quando ele precisou, todo mundo estava lá para ele. Não seja amigo de necessidade. Se Fulano é seu amigo quando você está precisando de ajuda, ele não deveria deixar de sê-lo quando você se resolveu. Uma variação comum é aquela em que alguém que não fala comigo há literalmente anos, subitamente aparece no MSN com um "e aí, véio? Beleza?" Quando recebo coisas assim, sei o que está vindo. Logo depois dumas rápidas gentilezas, logo perguntam sobre possibilidade de emprego. Eu gosto de ajudar gente a achar emprego. Tenho um grande número de conhecidos que trabalham onde trabalham porque ajudei. Mas me irrita um pouco quando alguém só fala comigo quando precisa disso. Imagino que isto aconteça com outros também. Existe também o inverso do amigo de necessidade. Ou talvez seja outra variante um pouco mais distante. É aquele que é seu amigo quando você está bem empregado. Se você perder seu emprego, ele começa a lhe ignorar. Conheço alguns desses também. Você percebe que não era tão amigo assim, era mais um "networking". Se você achar um bom emprego depois, o "amigo" volta. Agora para mim o pior dos piores é o desconhecido que me procura como se eu fosse seu melhor amigo. Há alguns meses um indivíduo me enviou um email que poderia ser resumido como:
E aí, meu bruxo! Tudo bem? Tá trabalhando na Intel, né? Legal! Deve ser muito bom. Como tá o trabalho aí?
Eu não reconheci a pessoa. Confesso que jamais tive relacionamentos tratados à base de "meu bruxo" e achei estranho. Pedi desculpas -- olhem só -- por não reconhecê-lo e perguntei de onde nos conhecíamos.
A gente não se conhece, eu sou namorado da Fulana, que trabalha com a sua mãe. Mas e aí? Como vai essa vida? Seguinte, posso te enviar meu CV? Estou procurando algo...
Ele me enviou convites para MSN, Gmail, Orkut... continuou enviando emails com piadinhas. Éramos os melhores amigos. Quase dava para ouvir uma música de fundo. Eu tento manter contato com meus "amigos" quando preciso e quando não preciso. Se eu não falo normalmente com você, dificilmente você vai me ver dando uma de amigão para pedir emprego. Acho falsidade. Precisa de ajuda? Peça. Só não se faça de meu amigo, quando não é.

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Feb 26 / 4:01am

Como não fazer um currículo

Embora eu raramente peça por isto, eu recebo uma boa quantidade de currículos. Alguns são de amigos procurando emprego, mas muitos são de desconhecidos. Infelizmente há pouco que eu possa fazer por estes, embora eu tente ao menos indicá-los para algum parceiro ou conhecido quando é relevante. Muitas vezes, porém, fica difícil até tentar indicar para alguém. Existem currículos tão fracos que chegam a dar pena. Para os paladinos que sempre estão de plantão: não estou falando em pouca experiência, estou falando dos currículos propriamente ditos. Há alguns dias recebi um do tipo. Não é de ninguém que eu conheça, o que em si só já valeria alguns comentários, mas deixemos para outra oportunidade. Resolvi apontar os erros que vi para tentar ajudar quem estiver à procura de emprego. Comecemos pelo início...
Claramente temos um grave problema de excesso de informações irrelevantes aqui. Alguém dirá que para algumas funções pode ser importante incluir o número da carteira de habilitação. Verdade. Mas não é o caso aqui. Eu não preciso disso. Outros argumentarão que informação nunca é demais, ao que eu contra-argumentaria:
  1. Informações como estas podem ser usadas para fazer-se pesquisas em órgãos como, por exemplo, um Serasa da vida. Mesmo que você não tenha nada a temer, saiba que informações incorretas existem e se este tipo de pesquisa for feita sem seu conhecimento, você não terá oportunidade de defender-se. Em outras palavras, informações irrelevantes não lhe trazem nenhuma vantagem, mas podem vir a virar desvantagens. Não dê margem ao azar.
  2. A verdade é que na maioridas das vezes, as pessoas vão só dar uma olhadela rápida em um currículo antes de decidir se o ignoram ou se o mantém para futura revisão. A atenção perdida lendo informações irrelevantes é subtraída da atenção que seria dada às partes mais importantes.
Logo depois temos outro caso clássico de informação irrelevante:
Ora, se você fez um curso superior, pode-se assumir com absoluto grau de certeza que você completou o ensino médio. Não há necessidade de afirmar o óbvio. Então chegamos àquilo que é, sem dúvida, a parte mais importante de um currículo: a parte em que você me convence que deve ser contratado. Infelizmente, um número alarmante de currículos são como este:
Onde começar? Existem tantos erros gramaticais acima que fica realmente difícil. O que este parágrafo me diz, na verdade é:
Eu resolvi não me dar ao trabalho de sequer ler este parágrafo uma única vez antes de enviar. Eu não sei escrever em minha própria língua e não vou me dar ao trabalho de aprender. Tenho dificuldade em me expressar e me comunicar.
jetset esquerdista me acusará de elitista. Dirão que nem todos tiveram as mesmas oportunidades. Mas (a) estou tentando ajudar e (b) quem completou ensino superior no Brasil é, por definição, elite, e teve, sim, muita oportunidade de aprender. Além disso, o processo de conseguir um emprego é inerentemente elitista. É seu trabalho tentar aumentar suas chances. Mesmo assumindo que você não tenha tido, por alguma conjunção astral obscura, nem uma única oportunidade de aprender o português, então procure alguém que o tenha. Devem existir pelo menos um ou outro lusófono perto de você. Errar no português, todo mundo erra. Mas não há desculpa para aquele parágrafo em um currículo. Por fim, acho que vou brigar com profissionais de recursos humanos aqui.
Qual processo mental leva à decisão de incluir seu salário em um currículo enviado a desconhecidos? Sei que muitos profissionais de RH sugerem que os currículos devem incluir pretensão salarial. Pessoalmente eu não gosto muito disso, pois nada de bom pode sair daí. Mas claro, se o empregador pede isso, tem que colocar. Mas daí a incluir seu salário em um email para desconhecidos?  Qual a vantagem possível que você teria ao incluir esta informação? Eu afirmo que absolutamente nenhuma. A única coisa que você praticamente assegura é que não vai ganhar mais do que ganha hoje. Aliás, provavelmente você está assegurando-se de ganhar menos. Se eu tiver uma vaga que pague R$ 3000, vou considerar que você não se valoriza muito e, portanto, não deve ser muito bom. É psicológico. Se por outro lado, você estivesse pedindo R$ 6000, eu simplesmente acharia que você deve ser bom, mas não está pedindo um salário muito realista. Infelizmente não posso pagar isso.  Em ambos os casos você perdeu a vaga (o que pode ser bom ou ruim, é claro). É quase uma loteria. Você teria de acertar (ou ficar bem próximo) daquilo que o empregador considera a faixa natural daquela vaga. Acima ou abaixo e você cai fora.

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