Roberto Teixeira

Roberto Teixeira

Roberto Teixeira  //  Technologist and regular nerd helping a small company called Intel build great software products.

Nov 5 / 10:42pm

TGIF!

Essa semana foi safada... Em primeiro lugar, há o problema da seca. A região de Córdoba está experimentando uma grave seca acompanhada dos obrigatórios incêndios em volta da cidade. Além disso, as temperaturas estão elevadíssimas. No último final de semana chegaram a 42°C. Eu não gosto de calor e aparentemente minha filhinha puxou a mim, porque choramingava quando o calor era muito.

Aí vem o problema de achar um lugar definitivo para viver. Atualmente estou em um apartamento imobiliado “para gringos”. Caríssimo. Mas era o jeito enquanto nossas coisas viajam de São Paulo para cá de navio (não perguntem). De qualquer modo, não está nada fácil. Em geral, os proprietários aqui simplesmente recursam-se a alugar para um extrangeiro. Já ouvi várias explicações, todas elas basicamente encaixam-se em:

Meu <primo|irmão|amigo> alugou para um <boliviano|espanhol|francês> e ele se foi de volta para a <Bolívia|Espanha|França> sem pagar e ainda destruiu o apartamento.

O que vou dizer? Realmente é um problema. Mas então ofereci pagar adiantado todos os meses de aluguel. Mesmo assim, você vai destruir o apartamento e aí o que eu faço? O que responder a isso? Não aceitam seguro-fiança e embora mais de uma pessoa tenha se oferecido para servir de fiador, descobrimos que não é possível usar o imóvel em que se vive como garantia, pois a justiça não pode executar. No Brasil também não pode executar, mas por alguma razão aceitam como fiança.

E claro, tenho de procurar apartamento enquanto trabalho. Essa semana foi especialmente complicada, cheia de coisas para fazer e deadlines se aproximando. Ainda por cima, meio que de surpresa, a empresa catou um treinamento de dois dias para alguns de nós fazermos em uma universidade local. Pelo menos o treinamento foi surpreendentemente bom. Mas eu me estressei bastante me preocupando com isso e mais o trabalho.

Entra o pedido de residência da Lisi e da nenê. Agora a coisa fica complicada. Para fazer o visto de residência, é necessário obter um certificado de antecedentes criminais no Brasil. Este certificado deve então ser traduzido e legalizado pelo Cônsul argentino no Brasil. Tudo isso foi feito. Uma vez aqui, é necessário ir na polícia federal daqui para pedir um certificado de antecedentes criminais daqui e da Interpol. Basicamente a polícia daqui pede um certificado de antecedentes para a polícia do Brasil. Ou seja, repete-se tudo. Isso também foi feito já há tempos, mas só ficou pronto essa semana.

Há um pequeno problema. Para a Imigração aqui, esses certificados perdem a validade se você sair do país antes de receber o visto. Por razões profissionais, a Lisi precisa estar no Brasil dia 17 de forma que agora queremos correr para não ter de fazer tudo de novo. Não é trabalho, já que basicamente tudo o que eu citei sobre legalização, Cônsul, etc, é feito por uma empresa que lida com as relocações de funcionários da Intel. O problema é que leva tempo e se a Lisi sair antes de ter o visto, temos de começar tudo de novo. E quanto mais tempo demorar para o visto sair, mais tempo vai demorar para ter documento argentino, pre-requisito para coisas básicas como conta corrente e cartão de crédito. Pois bem.

Agora minha mulher tinha de dar uma procuração para que os advogados aqui dessem continuidade ao processo para ela e para a Milena. Para isso, tivemos de ir em uma escribanía, que basicamente é algo que faz as vezes de um cartório no Brasil. Só que não é realmente como um cartório. Os escrivões funcionam como profissionais liberais, com seus “consultórios”. Fomos lá com a procuração para reconhecer firma (aqui na verdade é “assinar na presença de escrivão público”) e o cara não aceitou fazer o reconhecimento daquele papel pois reconhecimento de firma custava AR$ 60, enquanto que fazer uma procuração custava AR$ 290 e o fato de termos impresso a procuração era como se estivéssemos roubando o trabalho dele. Sim, é sério. Eu estava com pressa para voltar para o trabalho porque tinha uma reunião e ainda tinha de fazer algumas coisas antes dela. Decidi que 300 pesos valiam menos que a incomodação de atravessar a cidade em busca de outro escrivão até achar um que aceitasse e mandei fazer a procuração lá mesmo.

“O que tem que fazer?” perguntei. “Eu simplesmente transcrevo este texto em um papel oficial” foi a resposta.

Saimos para comer alguma coisa e voltar depois. Ficamos 40 minutos fora. Quando voltamos, ouvi uma mulher ditando o conteúdo da carta para o cara que, por sua vez, datilografava o texto. Atenção para o verbo! Datilografava. Eu nem sequer sabia que ainda existiam máquinas de escrever. E o cara era lento. Esperamos mais uns 20 minutos e eu decidi que não podia esperar mais. A Lisi ficou lá com a nenê e eu corri de volta para a empresa. A Lisi depois me contou que ficou mais 50 minutos esperando até assinar um papel com o mesmo texto que tínhamos impresso (enviado pelos advogados) e pagar AR$ 300 por isso.

Hoje pela manhã uma corretora me informou que um proprietário aceitou-me como inquilino. Fui visitar o apartamento e gostei bastante. Voltei e quis fechar o negócio. Aí então fui informado que o proprietário quer que eu faça um depósito de garantia, a ser devolvido no final do contrato, de AR$ 50.000, o que é um absurdo completo, mas que a esse ponto tive de considerar seriamente.

Thank God it’s Friday!

Enviado via email do Posterous

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